Home Instalações Localização Locais Informações Contacte-nos
. .

Fortaleza de Sagres

Fortaleza de Sagres

Segundo a lenda, foi na península isolada da Ponta de Sagres que Dom Henrique, o Navegador, construiu no século XV uma fortaleza para enviar os seus marinheiros na missão de explorar os mares desconhecidos. Seguindo em frente a partir da rotunda, chega-se à Fortaleza, ex-libris de Sagres. Quem a visita percebe por que razão lhe chamaram "o fim do mundo". Ali, a terra acaba abruptamente entre arribas altas e escarpadas, e o mar começa, imenso e interminável, num azul profundo que se junta ao céu na linha do horizonte. O mesmo fim do mundo que, outrora, embalou os sonhos salgados de um homem audacioso e que hoje é paraíso de pescadores que vão pintalgando as escarpas, inventando trilhos nas rochas inacessíveis. Esta parte da costa Atlântica, da qual Sagres é referência primordial, foi alvo de inúmeros ataques de piratas, tendo um vasto historial de batalhas navais a que se associam nomes como Sir Francis Drake e Lord Nelson. Um lendário testemunho, que ainda hoje passa de boca em boca, leva o povo a sonhar com naus afundadas e tesouros escondidos no fundo do mar. Sabe-se, no entanto, que uma ponta de verdade existe nestes dizeres populares e que a localização de alguns barcos é, de facto, conhecida.

Sagres é uma página do mais brilhante período da História de Portugal. Sagres é uma fortaleza, também chamada de Castelo de Sagres ou Forte de Sagres, coroando o promontório do mesmo nome.

Desta ponta, batida pelo vento, o visitante usufrui uma deslumbrante panorâmica ao longo da costa, com destaque para as enseadas de Sagres e o cabo de S. Vicente, extremo sudoeste do continente europeu, e da imensidão do Atlântico.

Visitado por navegadores oriundos do mar Mediterrâneo desde c. 4000 a. C, foi citado desde a Antiguidade por Avieno, Estrabão e Plínio, como uma área cultual dedicada a Saturno ou Hércules, divindades de forte conotação com o mundo marítimo, não se estranhando, pois, a denominação, que teve, de Sacrum Promontórium. Aqui conhece-se uma das maiores concentrações de menires e recintos megalíticos da Europa.

Posteriormente, durante a ocupação islâmica da P. Ibérica acentuou-se o seu carácter de local de peregrinação, denominando-se então Chakrach, muito tendo contribuído para tal a lenda das relíquias do mártir cristão S. Vicente de Saragoça. Aqui se situava a Igreja do Corvo, depósito das relíquias de São Vicente até ao século XII, altura em que D. Afonso Henriques as resgatou para Lisboa.

O promontório de Sagres, bem como as vilas adjacentes de São Vicente e Sagres, foi doado em 27 de Outubro de 1443, pelo regente D. Pedro ao seu irmão, o Infante D. Henrique (1394-1460). A vila de Sagres, então abandonada e em ruínas em razão das razias dos piratas de Marrocos, foi, a partir de então, reconstruída e repovoada, inclusive no tocante à sua defesa, pelo Infante, tendo em conta os objectivos que ele tinha em mente.

Dessa forma, a Sagres da primeira metade do século XIV tornou-se o núcleo da expansão marítima portuguesa, recebendo estudiosos e navegantes de todas as nacionalidades, reunidos em torno do Infante: a chamada Escola de Sagres.

Após a morte do Infante (1460) e consequente deslocação para Lisboa do eixo da expansão, a povoação e sua fortificação perderam importância. Apesar disso, houve monarcas portugueses que lhe reconheceram a importância. D. Manuel I determinou a criação da freguesia de Sagres e a edificação da igreja matriz; D. Sebastião adossou dois baluartes nos extremos da muralha.

Entretanto, o corsário inglês Francis Drake, depois de saquear Cádis, assaltou, destruiu as terras do Cabo de S. Vicente e pilhou Sagres. Então aconteceu uma desgraça histórica: perderam-se os arquivos e a biblioteca de D. Henrique. Filipe II e IV ordenaram que se fizessem obras na fortaleza. No século XVIII sofreu novas remodelações, após o terramoto de 1755.

A fortaleza fora, então, seriamente danificada pelo tsunami quando a gigantesca onda galgou a altura do penhasco. Do reinado de D. Maria I (1793), data a construção da actual porta de entrada, em arco redondo, encimado por frontão triangular com escudo real ao centro. O marquês de Sá da Bandeira mandou colocar, em 24 de Julho de 1840, uma lápide com uma exaustiva inscrição em latim e em português, encimada por um escudo com a coroa real ladeada por uma caravela e um globo terrestre.

Esta foi a forma de homenagear o Infante. Na década de 1980, porém, devido à degradação do conjunto e visando adequar a utilização do sítio aos pressupostos da Carta de Veneza (possibilitando o acolhimento turístico), foi lançado um concurso para a recuperação da Fortaleza de Sagres que modificou e descaracterizou o conjunto.

Aqui podem visitar-se, à entrada, o portal neoclássico da Porta da Praça, os vestígios da Vila do Infante anteriores às muralhas setecentistas, designadamente a torre-cisterna, uma muralha corta-ventos (coroada de falsas ameias), a Igreja de Nossa Senhora da Graça, um Padrão de Descobrimentos, a chamada a Rosa-dos-Ventos, também denominada como Rosa dos Ventos do Infante D. Henrique, uma ampla estrutura que se considera remontar ao século XVI. Revelada casualmente em 1921, representa uma estrela com 32 raios, simbolizando os rumos, inscritos num círculo, traçada no solo por seixos irregulares e que alguns autores crêem tratar-se do gnômon de um relógio de sol.
Bibliografia: IPPAR; DGEMN; Portugal Eterno, Público, 2002; Tesouros Artísticos de Portugal, Selecções do Reader’s Digest.