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Parque Natural
do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
O
Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina localiza-se no
litoral sudoeste de Portugal, entre a ribeira da Junqueira
em São Torpes e a praia de Burgau, com uma extensão de 110 km, numa área total
de 74 414,89 hectares, correspondendo a área terrestre a 56 952,79 ha e a área
marinha adjacente a 17 461,21 ha.
O Parque Natural do
Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina abrange o litoral sudoeste de Portugal
Continental, no sul do litoral alentejano e no barlavento algarvio em redor do
Cabo de São Vicente. Inclui territórios de freguesias dos seguintes concelhos:
Sines, Odemira, Aljezur e Vila do Bispo.
Para além da faixa costeira
e da zona submarina de 2 km a partir da costa, o parque inclui o vale do rio
Mira desde a foz até à vila de Odemira.
Na área do parque
encontram-se diversos tipos de paisagens e habitats naturais e semi-naturais,
tais como arribas e falésias abruptas e recortadas, praias, várias ilhotas e
recifes (incluindo a ilha do Pessegueiro e um invulgar recife de coral na
Carrapateira), o estuário do Mira, o cabo Sardão, o promontório de Sagres e Cabo
de São Vicente, sistemas dunares, charnecas, sapais, estepes salgadas, lagoas
temporárias, barrancos (vales encaixados com densa cobertura vegetal), etc. As
altitudes máximas são: 324 m, no interior (em São Domingos, Odemira); e 156 m,
no litoral (em Torre de Aspa, Vila do Bispo). A profundidade máxima é 32 m, 2 km
ao largo do Pontal da Carrapateira (Aljezur).
O clima é mediterrânico, mas com forte influência marítima. Os invernos são
pouco frios e os verões são frescos.
O regime de ventos é um importante factor no clima da região. Os ventos
dominantes são os de norte e noroeste. Os ventos de sudoeste são significativos
em Sagres e Vila do Bispo em Janeiro e
Fevereiro. No verão são frequentes ventos fortes carregados de humidade.
As temperaturas aumentam de norte para sul; as médias anuais são de 15°C em
Monte Velho e Sines e de 16°C em Vila do Bispo e
Sagres. A zona do promontório de Sagres tem a menor amplitude térmica de
Portugal Continental.
A precipitação máxima ocorre em Dezembro, sendo os valores médios anuais entre
os 400 mm, na zona de Sagres e os 700 mm, na
área para norte de Odeceixe. Em geral, chove mais para norte e para o interior.
A
flora do Parque Natural do Sudoeste Alentejano
e Costa Vicentina distribui-se por três tipos de ambientes geomorfológicos:
-
barrocal ocidental, no
planalto vicentino a sul, com vegetação típica de solos calcários, numa zona
de clima seco e quente;
-
planalto litoral, com
vegetação mais diversificada, nas dunas, charnecas e áreas alagadiças; é uma
zona fresca e húmida;
-
serras litorais e
barrancos, com densa vegetação arbórea e arbustiva típica das zonas húmida
das ribeiras.
Ao longo do parque ocorre
uma mistura de vegetação mediterrânica,
norte-atlântica e
africana, com predominância para a primeira. Há cerca de 750 espécies,
das quais mais de 100 são endémicas, raras ou
localizadas; 12 não existem em mais nenhum local do mundo. Na área do parque
encontram-se espécies consideradas vulneráveis em Portugal, assim como também
diversas espécies protegidas na Europa.
A espécies
arbóreas na área do parque dividem-se em
componentes classificadas como naturais (sobreiro
(Quercus suber), carvalho cerquinho (Quercus
faginea) e o medronheiro (Arbutus unedo
L.)) e artificiais (pinheiros-bravos (Pinus
pinaster) e os eucaliptos (Eucaliptus
globulus)).
O parque é uma área de passagem para aves planadoras e para os passeriformes
migradores transarianos, nas suas deslocações entre as zonas de invernada em
África e de nidificação na Europa. É a última área de cria da águia-pesqueira na
Península Ibérica.
A nidificação em falésias e arribas marítimas é uma característica da área do
parque, com destaque para a cegonha-branca, o falcão-peregrino e a
gralha-de-bico-vermelho. É único local do mundo em que as cegonhas nidificam nos
rochedos marítimos.
Entre as aves encontram-se, entre outras, as seguintes: águia-pesqueira (Pandion
Haliaetus), corvo-marinho (Phalocrocorax spp.), pombo-da-rocha,
cegonha-branca (Ciconia ciconia), garça (Egretta garzetta),
falcão-peregrino (Falco peregrinus), peneireiro-das-torres (Falco
naumanni), gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax),
melro-da-rocha ou melro-azul (Monticola solitarius), peneireiro (Falco
tinnunculus), guarda-rios, galinha-de-água (Gallinula chloropus),
corvo
(Corvus corax), pombo-da-rocha (Columba livia), torcaz (Columba
palumbus L.), gaivota (Laridae), gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax
pyrrhocorax), açor (Accipiter gentilis), gavião (Accipiter nisus),
mocho (Strigidae), coruja, rouxinol, pintassilgo (Carduelis carduelis),
tartaranhão-caçador (Circus pygargus), tartaranhão-azulado (Circus
cyaneus), alcaravão (Burhinus oedicnemus), sisão (Tetrax tetrax),
abibe (Vanellus vanellus), narceja (Gallinago gallinago),
bufo-real (Bubo bubo), águia-de-bonelli (Hieraaetus fasciatus),
águia-cobreira (Circaetus gallicus), ogea (Falco subbuteo),
bufo-pequeno (Asio otus), rola (Streptopelia turtur).
Os mamíferos presentes na área do parque incluem, entre outros: lontra (Lutra
lutra) ,
fuinha (Martes foina), texugo (Meles meles), raposa (Vulpes
vulpes), gato-bravo (Felis silvestris), sacarrabos (Herpestes
ichneumon), javali (Sus scrofa), ouriço-cacheiro (Erinaceus
europaeus), lince-ibérico (Lynx pardinus), geneta (Genetta genetta).
As fuinhas, as rapozas (também chamadas zorras), os texugos e os sacarrabos (ou
escalavardos) são encontrados nas zonas dunares e falésias. Os texugos escavam
as tocas nas falésias. Esta zona é a única em Portugal, e das últimas na Europa,
onde se encontram lontras em habitat marinho..jpg)
As grutas, como a do Monte Clérigo e a gruta Amarela, são refúgios para
importantes comunidades de morcegos (Chiroptera).
Várias
espécies de anfíbios reproduzem-se nas lagoas temporárias. Entre outros
encontram-se o sapo (Bufo bufo), o sapo-de-unha-negra (Pelobates
cultripes) e o sapinho-de-verrugas-verdes (Pelodytes punctatus) .
Nessas zonas húmidas também se encontram crustáceos como o Triops
cancriformis mauritanicus e outros endemismos ibéricos.
Entre
os répteis encontram-se, por exemplo, a cobra-rateira (Malpolon
monspessulanus) e a cobra-lisa-bordalesa (Coronella girondica).
Nos cursos de água, paúis e sapais encontram-se peixes dulciaquícolas que são
endemismos portugueses como o barbo-do-sul (Barbus sclateri) e a boga
portuguesa (Chondrostoma lusitanicum) e também um endemismo local, o
escalo-do-Mira (Leuciscus sp.).
Na zona marítima do parque encontram-se as espécies de peixes e outros animais
habituais no nordeste do Atlântico.
A população residente é cerca de 24 mil pessoas. Os visitantes, em pelo menos
algumas zonas do parque, são cerca de 2,8 milhões por ano.
A área do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina engloba várias
vilas e aldeias. Ao longo dos séculos a população dedicou-se à pesca e à
agricultura e pecuária, mas o turismo é uma actividade cada vez mais importante,
nomeadamente em locais como Porto Covo e Vila Nova de Milfontes e em toda a
costa algarvia do parque. O sector industrial é praticamente inexistente.
As principais actividades turísticas são: pedestrianismo, orientação, escalada,
parapente, hipismo, canoagem, surf, windsurf, mergulho e BTT.
Algumas povoações e sítios do parque têm grande interesse histórico e cultural,
com diversos monumentos nacionais e imóveis classificados de interesse público,
com especial destaque para a área de Sagres e
Cabo de São Vicente.
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